Resenha: A Herdeira, Mariana Ribeiro

Sinopse:

Pertencente à alta aristocracia brasileira do século XIX, Maria Luísa é uma mulher à frente do seu tempo. Uma jovem decidida a assumir o controle do seu próprio destino, mas ainda pressionada pelas convenções de sua época. Quando conhece o Tenente Martim Afonso Almeida, inicia uma história de amor em meio a Guerra do Paraguai.

Convencionada a se casar com o Duque de Westminster, ela acaba por aceitar o matrimônio após ter recebido a notícia de que seu verdadeiro amor faleceu. Mas, quando descobre que ele está vivo e de volta ao país, acaba dividida entre o dever com a família e os impulsos do coração. A jovem herdeira acaba por ser confrontada com a necessidade de fazer uma escolha decisiva, que mudará não só a sua vida, como também a de todos que a cercam.

A partir desta escolha, Maria Luísa inicia um caminho sem volta para o mundo cruel, que até então não conhecia.

Avaliação: 🌟🌟🌟

A Herdeira é um romance histórico que se passa no século XIX e tem como pano de fundo acontecimentos marcantes, como a guerra entre o Brasil e o Paraguai iniciada em 1864 e o exílio da família real. A Mariana Ribeiro escreve muito bem e dá para ver que fez uma boa pesquisa para o livro, são muitos detalhes interessantes que, aos poucos, vão sendo inseridos na história. A contextualização de tudo é incrível e ajuda a imergir no ambiente em que os acontecimentos se passam. Os personagens retratados aqui não são completamente bons nem completamente ruins, é possível apoiá-los num momento e, logo em seguida, sentir vontade de dar uns tapas para ver se acordam pra vida. Nós os acompanhamos durante vários e vários anos, passando por diversos lugares, entre Brasil, Paraguai, Inglaterra e África do Sul, vendo seus erros e acertos e o crescimento deles ao longo da história. Temos muitas reviravoltas, muitos encontros e desencontros, e diversos segredos a serem revelados com o passar das páginas.

Desde o começo, já dá para perceber que Maria Luísa é uma mulher inteligente, forte e obstinada, que luta pelo que quer, em vez de permitir que ditem sua vida; e isso é algo que costuma me agradar bastante numa mocinha. Ela teve a oportunidade de estudar enfermagem em Londres, e ao voltar ao Brasil, em vez de buscar um casamento vantajoso como esperado de uma jovem de sua posição, decide empregar seu tempo como voluntária na Santa Casa do Rio de Janeiro, da qual seu pai é benfeitor. É ali que ela conhece o tenente Martin Afonso Almeida, pelo qual se apaixona perdidamente. Porém, a guerra acaba separando-os e, a certa altura, ele é dado como morto. Maria Luísa sofre terrivelmente, mas aceita se casar com William Chamberlain, o duque de Westminster, conforme o desejo de seus pais. No entanto, no mesmo dia do enlace, descobre que tudo não passou de um engano e seu amado está mais vivo do que nunca. É quando as coisas se complicam e um triângulo amoroso tem início.

Como eu já disse, a trama é muito bem escrita, cheia de acontecimentos surpreendentes e com uma construção interessante. No entanto, por algum motivo, eu não consegui sentir tudo o que deveria. As coisas parecem um pouco “mecânicas”, frias; não emocionam, não passam paixão ou, em outras palavras, não tocam o coração – ao menos, não o meu. Talvez isso se deva ao fato de não terem cenas suficientes para mostrar o nascimento e desenvolvimento dos sentimentos que permeiam entre os personagens, tanto de Maria Luísa para com o tenente quanto para com o marido, foi tudo rápido demais. E, ao mesmo tempo, os primeiros encontros não tiveram intensidade o bastante para convencer a gente de amores à primeira vista. Isso comprometeu consideravelmente o meu envolvimento, porque eu costumo ler para me emocionar, e isso infelizmente não aconteceu.

Outra coisa que me incomodou foi a personalidade da Maria Luísa. Ela é altruísta e se preocupa com os escravos e trabalhadores, fazendo o possível para tornar a vida deles melhor independentemente de quem tenha que peitar para isso. A bicha é corajosa, isso não dá para negar. No entanto, no âmbito amoroso, ela é muito volúvel e inconstante em seus sentimentos. Em uma hora está apaixonada por Martin; em outra, pelo marido. Não teria problema se ela gostasse de ambos verdadeiramente, se tivesse sentimentos intensos e avassaladores pelos dois homens de sua vida. O que não me convence é que ela passa anos com um, aí tem um simples reencontro com o outro e já fica balançada, perdendo o interesse por aquele com quem está no momento. E, ainda assim, ela se sente sempre a vítima das circunstâncias, colocando a culpa neles e criando inúmeras justificativas pra bagunça em seu coração. Admito que são desculpas plausíveis, mas isso acontece com uma frequência que me irritou um pouco. Os mocinhos também me incomodaram por ora serem cruéis e egoístas com ela, e ora estarem caídos de amor, dispostos a tudo para fazê-la feliz. O fato de continuarem a querê-la apesar de toda sua inconstância foi enervante também. Mas sei que talvez ainda venha mais um livro pela frente, torço para que as coisas melhorem. Eu com certeza estou curiosa para ver o desfecho desta história.

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