Resenha: As Modistas, Loretta Chase

Oi, meus amores! Vim trazer minha opinião sobre mais uma série de época que li em 2020. Espero que gostem de saber mais sobre ela! ❤

“As Modistas” é uma daquelas séries de época super famosinhas que eu tinha colocado na lista há um tempinho, mas que sempre adiava a leitura devido a algumas opiniões negativas que tinha visto por aí (tenho falado muito isso ultimamente, né?). E, cara, eu estou feliz demais por ela ter sido sorteada para a leitura coletiva do grupo que participo no Whatsapp (organizado pela Ana do blog Mademoiselle Loves Books e do Instagram @mllelovesbooks), porque simplesmente adorei cada um dos livros!

Aqui somos apresentados às belíssimas irmãs Noirot: Marcelline, a morena; Sophia, a loira; e Leonie, a ruiva. Elas são a terceira ou quarta geração de uma família de origem aristocrática, mas cujos membros são conhecidos por ter o caráter um tanto duvidoso. As três vão na contramão da família e decidem viver de forma honesta, montando um negócio em que podem aproveitar todos seus vastos talentos e as “qualidades” herdadas de seus parentes menos escrupulosos.

Marcelline é uma artista talentosa, responsável por criar os mais belos e elegantes vestidos, capazes de transformar até os “patinhos feios” da sociedade em graciosos cisnes. Sophia é o que chamamos de “boa de lábia”, capaz de “vender areia a beduínos”. É a responsável por atrair clientes para a loja, e também a correspondente secreta de um famoso jornal de fofocas, onde utiliza os rumores para manipular a opinião pública a seu favor. Já Leonie é um gênio financeiro, responsável pela administração do negócio.

As três são mulheres incríveis, sério! Adorei o fato de não fingirem ser o que não são. Elas são atraentes e sedutoras, e têm plena consciência disso, não tendo o menor escrúpulo em utilizar seus dotes da maneira que for mais conveniente para seus propósitos. Quem está cansado de mocinhas inocentes demais, que são facilmente manipuladas, vai adorar ver essas irmãs em ação. Me diverti muito com as armações, foi uma delícia vê-las colocando os mocinhos no bolso. Mas eles também são maravilhosos: sedutores, carismáticos e com gênios e esperteza à altura das nossas “heroínas” (mesmo aqueles que fingem não conseguir pensar direito com a cabeça de cima).

Minha única observação é que percebi que a Loretta não tem uma escrita tão leve e fluida quanto outras autoras do gênero, como Julia Quinn e Tessa Dare, mas isso não tira o brilho de suas histórias de forma alguma; apenas não é o tipo de livro para ser lido num único dia, como o das escritoras que eu mencionei. É uma leitura para ser degustada com tempo.

E um ponto que talvez incomode alguns é a enorme descrição das roupas, mas eu confesso que adorei. Inclusive, algo muito legal que eu descobri é que a autora tem pastas no Pinterest dedicadas a cada um dos quatro livros, onde podemos ver todas (ou uma boa parte) das criações das modistas, entre outras imagens relacionadas a cada volume da série (confiram aqui as pastas dos livros “Sedução da Seda”, “Escândalo de Cetim”, “Volúpia de Veludo” e “Romance entre Rendas”). Eu babei demais nessas lindezas de vestidos e tenho certeza que vocês também irão!

Confiram agora as sinopses e minhas opiniões sobre cada um dos livros.

Sedução da Seda

Sinopse:

Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon. Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio duque de Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna. O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas Madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.

Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

Neste livro, acompanhamos Marcelline, a mais velha das irmãs Noirot. Elas já têm clientes importantes, mas nenhuma grande referência da moda capaz de influenciar as demais damas a trocar a Trapos, nome “carinhoso” que dão à loja concorrente, pelo ateliê delas, por isso, quando ouvem que o duque de Clevedon está prestes a se casar, decidem que a futura duquesa tem que encomendar o enxoval de casamento ali. É uma oportunidade boa demais para ser desperdiçada, mas o que me fez gritar “what?” foi a forma como elas decidiram atrair a cliente.

Marcelline viaja para Paris, onde vive o duque, e emprega todos seus “talentos” para seduzi-lo. E estaria tudo lindo e maravilhoso, se ele não começasse a despertar coisas que a modista não deveria sentir. E quando descobre a razão pela qual Marcelline se aproximou dele, Clevedon não fica nada feliz, mas não consegue resistir à atração que sente pela enlouquecedora mulher e decide que irá fazê-la se render ao desejo a qualquer custo. No entanto, a convivência fará com que inevitavelmente comecem a se conhecer melhor e passem a desejar mais do que apenas noites de abandono nos braços um do outro (talvez um “para sempre”?), e foi delicioso vê-los sofrer com todo esse dilema.

Eu já falei em outras resenhas que AMO livros com crianças, e aqui temos uma garotinha tão fofa, tão cativante… e também tão esperta (puxou a mãe, né?), que roubou a cena todas as vezes que apareceu. Sério, vocês vão se apaixonar por essa coisinha pequena! Eu leria 10 livros só por causa dela. E a presença dela traz toda uma dinâmica diferente pra relação entre o Clevedon e a Marcelline. Só lendo para vocês verem.

E outra personagem que rouba a cena é lady Clara, a “noiva” do Clevedon. A presença dela é tão marcante nas histórias, que ela acabou ganhando seu próprio livro, “Romance entre Rendas”. Inclusive, minha cena favorita do livro – e a que considero mais icônica na série toda – é com ela. Eu literalmente gritei quando vi, acho que vocês também irão amar.

Este é um livro bem diferente, com personagens que passam longe de ser certinhos. Temos muitas armações, muita maquinações, e uma mulher que, embora cada vez mais apaixonada por um homem, não deixa de priorizar o sucesso do seu negócio acima de tudo. E eu ADOREI isso!

Foi o livro da série que achei mais complicado de ler, porque ainda estava me acostumando com a escrita da Loretta, ainda assim está mais do que recomendado! Foi uma leitura muito gostosa.

Escândalo de Cetim

Sinopse:

Irmã do meio entre as três proprietárias de um refinado ateliê de Londres, Sophia Noirot tem um talento inato para desenhar chapéus luxuosos e um dom notável para planos infalíveis. A loura de olhos azuis e jeito inocente é na verdade uma raposa, capaz de vender areia a beduínos. Assim, quando a ingênua lady Clara Fairfax, a cliente mais importante da Maison Noirot, é seduzida por um lorde mal-intencionado diante de toda a alta sociedade londrina, Sophia é a pessoa mais indicada para reverter a situação.
Nessa tarefa, ela terá o auxílio do irmão cabeça-dura de lady Clara, o conde de Longmore. Alto, musculoso e sem um pingo de sutileza, Longmore não poderia ser mais diferente de Sophia. Se a jovem modista ilude as damas para conseguir vesti-las, ele as seduz com o intuito de despi-las. Unidos para salvar lady Clara da desonra, esses charmosos trapaceiros podem dar início a uma escandalosa história de amor… se sobreviverem um ao outro.
Em “Escândalo de Cetim”, segundo livro da série “As Modistas”, Loretta Chase nos presenteia com um dos casais mais deliciosos já descritos. Além de terem uma inegável química, Sophia e Longmore são divertidos como o rodopiar de uma valsa e sensuais como um corpete bem desenhado.

Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Aqui acompanhamos o romance da Noirot loira com o irmão de Clara. Aliás, como no livro anterior, a trama gira em torno da lady, que já virou a principal cliente das irmãs e, quando se envolve em um escândalo, acaba prejudicando a imagem da Maison, por isso Sophia, a “expert em gerenciamento de crise” da família, precisa resolver a situação antes que todo o trabalho de anos na construção da imagem da loja vá pelo ralo. Ela só não contava que certo lorde com um talento infalível para enlouquecê-la se envolvesse no assunto, o que acaba forçando a convivência deles e nos brinda com uma história simplesmente viciante.

Gato e rato, muito desejo e muito sangue quente tornaram este o meu livro preferido da série. Que romance delicioso de acompanhar! Eu vibrei muito com este casal, especialmente em duas cenas: uma briga que fez a temperatura subir aqui em casa e no momento em que certo conde finalmente se dá conta de que está apaixonado. Amei demais!

Volúpia de Veludo

Sinopse:

Simon Fairfax, o fatalmente charmoso marquês de Lisburne, acaba de retornar relutantemente a Londres para cumprir uma obrigação familiar.
Ainda assim, ele arranja tempo para seduzir Leonie Noirot, sócia da Maison Noirot. Só que, para a modista, o refinado ateliê vem sempre em primeiro lugar, e ela está mais preocupada com a missão de transformar a deselegante prima do marquês em um lindo cisne do que com assuntos românticos.
Simon, porém, está tão obcecado em conquistá-la que não é capaz de apreciar a inteligência da moça, que tem um talento incrível para inventar curvas – e lucros. Ela resolve então ensinar-lhe uma lição propondo uma aposta que vai mudar a atitude dele de uma vez por todas. Ou será que a maior mudança da temporada acabará acontecendo dentro de Leonie?
“Volúpia de Veludo”, terceiro livro da série “As Modistas”, é uma história de amor envolvente, com personagens femininas fortes e determinadas que transitam com perfeição entre o romantismo e a sensualidade.

Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

“Volúpia de Veludo” e “Romance entre Rendas” são os volumes da série que mais vejo recebendo críticas, mas como cada leitor tem uma experiência diferente com a leitura, preciso dizer que a minha foi a mais positiva possível (com ambos os livros), e estou feliz demais por ter dado uma chance às histórias.

Aqui acompanhamos Leonie, a Noirot ruiva, que é a única das irmãs a continuar solteira e, por conta disso, se tornou a principal responsável pela Maison. Ela é o cérebro matemático e analítico da família, e é maravilhoso ver esse lado dela em ação (tenho a impressão de que ela e a Pippa, de “Entre a Culpa e o Desejo”, seriam melhores amigas).

Num evento de “captação de clientes”, Leonie acaba conhecendo Simon Blair, o marquês de Lisburne, e preciso dizer que esse foi um dos melhores primeiros encontros que já li na vida. Quem gosta de arte, vai se encantar com a descrição do quadro Vênus e Marte, de Botticelli (confiram a foto e a análise da obra aqui), e a forma como ele deixa Leonie hipnotizada a ponto de esquecer o mundo ao seu redor. A modista acaba descobrindo que o quadro pertence a Simon e, enquanto o casal de deuses capta toda sua atenção, é a própria Leonie quem deixa o marquês completamente sem fôlego e o faz inventar inúmeros pretextos para se manter por perto.

Descobrimos que Simon é primo de Clara e também de Gladys, uma mulher com fama de megera que se torna extremamente importante na trama. Da mesma forma que as Noirot viram potencial em Clara no primeiro livro, Leonie também enxerga a beleza que existe por trás do extremo mau gosto de Gladys e que seu comportamento agressivo é o reflexo de uma mulher que foi tão ferida no passado, que, para se defender, passou a atacar primeiro. Ela decide agir como uma espécie de fada madrinha e dar à Gladys a chance de brilhar na sociedade, já que sua primeira temporada foi um fiasco. Graças a essa intervenção, Gladys tem a chance de encontrar seu próprio príncipe encantado, e sou obrigada a falar que esse romance secundário me encantou tanto quanto o de Leonie e Simon. Não reclamaria nadinha se essa história tivesse ganhado livro próprio.

Voltando pro nosso casal protagonista, Simon não acredita no potencial de Gladys e por isso propõe uma aposta a Leonie, que garante que pode transformar o patinho feio em cisne em apenas duas semanas e pede nada menos que o quadro como prêmio caso se saia vencedora. Em contrapartida, Simon exige que Leonie passe duas semanas à sua disposição caso a modista perca a aposta. E assim começam os jogos… e esse livro maravilhoso que me divertiu, me arrancou suspiros, me fez sentir calor e conquistou um espacinho todo especial no meu coração. Leiam e tirem suas próprias conclusões, quem sabe não se apaixonem por esta história tanto quanto eu? Ah sim, e se preparem para serem surpreendidos no final, quando descobrimos que o Simon também tem um segredo.

Romance entre Rendas

Sinopse:

Que lady Clara Fairfax é dona de uma beleza estonteante, Londres inteira já sabe. Mas a fila de pretendentes que bate à porta de sua casa com propostas de casamento já está irritando a jovem.
Cansada de ser vista apenas como um ornamento, Clara decide afastar-se um pouco da alta sociedade e se dedicar à caridade. Um dia, numa visita a uma obra social, ela se depara com uma garota em perigo e pede ajuda ao alto, sombrio e enervante advogado Oliver Radford.
Radford sempre foi avesso à nobreza, mas, para sua surpresa, pode vir a se tornar o próximo duque de Malvern. Embora queira manter sua relação com Clara no campo estritamente profissional, aos poucos ele percebe que ela, além de linda, é inteligente, sensível e corajosa.
E quando a perspectiva de casamento se aproxima, tudo o que Radford pode fazer é tentar não perder a cabeça por Clara. Será que a herdeira mais adorada da sociedade e o solteiro menos acessível de Londres serão vítimas de seus próprios desejos?
Em “Romance entre Rendas”, livro que encerra a série “As Modistas”, Loretta Chase nos brinda com uma história envolvente e cheia de paixão, com personagens fortes e marcantes.

Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Depois de brilhar nos livros anteriores, Loretta Chase não poderia deixar lady Clara Fairfax sem um livro próprio e com isso nos brinda com uma história tão encantadora e deliciosa quanto as anteriores, e um desfecho mais do que digno para esta série que tanto me conquistou.

Aqui vemos que Clara está cansada de tantos pretendentes enfadonhos e, por conta disso, decide dedicar seu tempo a uma causa muito mais produtiva: ajudar uma garota em apuros. Bridget Coppy é uma linda jovem que vêm de uma das classes mais baixas de Londres e foi acolhida pela Sociedade das Costureiras para a Educação de Mulheres Desafortunadas, a instituição de caridade gerida pelas irmãs Noirot. Só que a beleza de Bridget atraiu o interesse de um sujeito perigoso que não aceita ser rejeitado por ela e, por conta disso, decide usar seu irmão para obrigá-la a se sujeitar aos seus desejos. É aí que entra Clara, que decide ajudar a jovem a localizar o irmão e encontrar uma colocação digna para ele. Só que isso colocará a lady em apuros que ela sequer imagina e a fará se envolver com Oliver Radford, um advogado acostumado a transitar no submundo londrino e que já recebeu mais ameaças de morte do que pode contar.

Além de advogado, Oliver também está na linha de sucessão de um ducado que parece amaldiçoado, após a maioria dos herdeiros terminar na terra dos pés juntos (parente do Alec, de “Amor para um Escocês”, talvez?). Confesso que, por causa disso, esse se tornou o primeiro romance de época que já comecei com uma lista de pessoas que deveriam morrer (desculpem, mas a Clara merecia um duque… ou pelo menos o herdeiro de um). Oliver conheceu Clara quando ainda eram crianças e apaixonou-se instantaneamente por sua inteligência, e mesmo que tenham ficado tantos anos sem se ver, o sentimento é revivido quando se reencontram. Oliver só não sabe se Clara se lembra dele…

Ai, gente, eu sou apaixonada por livros com amores de infância, então não tinha como não amar esta história. Oliver é o tipo de mocinho protetor, mas que respeita e valoriza a inteligência feminina, que eu adoro. A forma como ele trata a Clara é muito bonita, especialmente numa certa situação em que ela se encontra vulnerável. Acho que, mesmo não sendo meu livro favorito, este é o meu casal preferido da série. E além do romance, esta história também traz doses de perigo que deixaram as coisas ainda mais interessantes e prenderam minha atenção.

A última observação é que vocês devem se preparar para passar o livro tentando decorar a palavra heptaplasiesoptron (a Loretta Chase deixou uma explicação sobre isso aqui, caso estejam curiosos para saber o que é).

E é isso, meus amores! Vocês já leram “As Modistas”? Me contem o que acharam e qual livro mais gostaram de ler. E se não leram, não percam tempo e comecem agora mesmo. Vai valer super a pena!

Obrigada pela visita, beijos e até o próximo post! 😘😘😘

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