Resenha: A Corrida de Escorpião, Maggie Stiefvater

Sinopse:

Na pequena ilha de Thisby, poucos cavaleiros são bravos o suficiente para competir na corrida de escorpião que acontece a cada novembro. Pela primeira vez uma mulher, a jovem Puck Connolly, vai competir. Ela tem dois irmãos e ficou órfã depois que os pais foram devorados pelos cavalos assassinos. Por isso, ela está determinada não só a competir como ganhar a corrida. Para isso, Puck terá que enfrentar outro jovem corajoso e encantador. Sean Kendrick também perdeu o pai, atropelado pelas sanguinárias criaturas.
Apesar de terríveis, os cavalos do mar são uma grande atração turística. O turismo é a principal fonte de renda dos habitantes de Thisby. A ilha é um lugar fascinante e, ao mesmo tempo que atrai, também amedronta. A descrição que Maggie faz dos desfiladeiros do local é carregada de poesia. Com a narrativa alternando entre o ponto de vista de Sean e de Puck, a autora criou uma trama envolvente, classificada por críticos do New York Times e do Los Angeles Times como inovadora.
Em A Corrida de Escorpião, Maggie Stiefvater nos leva até o limite, em que o amor e a vida encontram seus maiores obstáculos e apenas os fortes de coração podem sobreviver. Uma leitura inesquecível.

Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Embora seja classificado como fantasia, A Corrida de Escorpião não é um livro tão cheio de elementos mágicos como a grande maioria das obras do gênero; a presença dos cavalos d’água é o único item fantasioso presente no texto. Aqui temos, sim, uma história bastante real, com personagens que passam por problemas que qualquer um de nós poderia enfrentar, como o luto e a necessidade de trabalhar para botar comida na mesa, por exemplo.

A trama se passa em um lugar bastante peculiar, uma pequena ilha chamada Thisby, que não teria nada de especial, se não fosse a presença dessa espécie única de equino, os capall uisce. Os cavalos d’água são criaturas extremamente perigosas e violentas, capazes de causar verdadeiro pânico quando saem de seu habitat natural para procurar alimento em terra firme, não sendo raro provocarem vítimas fatais, como os pais de nossos protagonistas. Apesar disso, eles também são considerados o “charme” da ilha, atraindo anualmente diversos turistas para a chamada Corrida de Escorpião, que nomeia o livro e, por sua vez, é chamada assim por causa do mar que rodeia Thisby (o mar de Escorpião).

A história é narrada em primeira pessoa, sob o ponto de vista de dois personagens muito diferentes. De um lado temos Puck, uma garota que ficou órfã muito cedo e teve que se virar para sobreviver ao lado de seus dois irmãos. O fato de ficarem sós no mundo acabou unindo bastante os três, porém essa união é colocada em cheque quando Gabe, o mais velho, anuncia que sairá da ilha para trabalhar no continente, algo que é bastante comum, uma vez que, por ser um lugar tão pequeno, não dispõe de trabalho para todos. Isso faz o mundo de Puck virar de cabeça para baixo, e para manter o irmão por perto durante mais algum tempo, ela anuncia que participará da corrida. O problema é que ela não possui um cavalo d’água para chamar de seu, e conseguir um não é algo tão fácil assim. Por essa razão, acaba decidindo participar com sua égua, Dove, mesmo, o que talvez não seja uma boa ideia. E além do perigo que enfrentará estando perto de criaturas naturalmente vorazes e assassinas, ainda se deparará com a resistência dos homens (e até de algumas pessoas de seu próprio gênero) da ilha, por ser a primeira mulher a se inscrever na competição. Contudo, por maiores que sejam as provações, ela não está disposta a desistir de seu intento e fará de tudo para provar que é tão capaz quanto qualquer um.

Já Sean, nosso outro protagonista, é o homem a ser vencido, o campeão das últimas quatro edições da corrida. No entanto, sua vida não é fácil como poderia parecer nessa descrição. Ele também perdeu os pais muito cedo; a mãe, ao deixá-lo para seguir um homem ao continente, e o pai, ao ser esmagado sob as patas de um capall uisce por um descuido durante uma Corrida de Escorpião que ocorreu quando ele tinha dez anos de idade. E ao contrário de Puck, ele realmente ficou sozinho no mundo, até ser acolhido por Benjamin Malvern, o homem mais rico da ilha, e ir trabalhar para ele em seu haras. Porém, engana-se quem pensa que fez isso por bondade. Sean sofre uma exploração gigantesca no trabalho, ficando, por exemplo, com apenas 10% do valor dos prêmios das corridas que ganhou, e pior, tendo que aturar o filho invejoso do homem (se existe alguém que merece nosso ódio na história, é esse FDP mimado). Ele até recebe outras ofertas de emprego, mas seu amor por Corr, o cavalo d’água com quem se tornou campeão, o impede de deixar o haras. Seu sonho é comprar o animal, mas Malvern se recusa terminantemente a vendê-lo. Entretanto, nesta edição da corrida as coisas mudam e Sean finalmente tem a chance de realizar seu desejo, contanto que conquiste o primeiro lugar uma vez mais.

Confesso que simplesmente não sabia para quem torcer, pois tanto Puck quanto Sean têm motivos fortíssimos para quererem o título e o dinheiro que vem com ele, mas apenas um pode ser campeão (e já adianto que, ao final, só temos mesmo um ganhador). Existe um romance no meio do caminho também, mas não é o principal e passa longe de tirar o foco do que realmente importa na história: a corrida. E me julguem se quiserem, mas o casal que mais shipei foi Corr e Dove. Achei tão fofo ele se exibindo para ela, ai ai 😍😍😍 Vou ali me internar e já volto 😅😅😅

Posso dizer que terminei a leitura apaixonada por tudo que vi aqui. A escrita da Maggie Stiefvater é sensacional. As descrições da ilha são tão incríveis, que automaticamente nos transportam para lá; e a forma como criou os personagens (não só os protagonistas), imprimindo os sentimentos e impressões de Puck e Sean tão vivamente em seus pontos de vista, nos cativa intensamente, tornando-nos praticamente amigos dos dois – e de alguns outros também. 5 estrelinhas e, sem dúvida, uma das melhores leituras de 2019.

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