Resenha: Reino dos Céus (Saga Radegund #1), Drica Bitarello

Sinopse:

1187

Jerusalém é a Terra Prometida. Um lugar onde todos os pecados são perdoados e onde as fontes jorram leite e mel. E onde o solo é lavado pelo sangue de gerações.

Há muito tempo, Radegund se curvou ao seu destino. Habituada a viver nas sombras, sozinha. Porém, ao tropeçar em Leila, uma jovem sarracena, toda sua vida parece fadada a mudar. Nada mais será como antes.

Vinho, mulheres, guerra. Tudo seria simples para Mark al-Bakkar se ele não fosse filho de dois mundos tão diferentes e tão iguais. E quando um jovem e taciturno soldado o salva da morte certa, as coisas começam realmente a se complicar.

Das montanhas geladas para as areias escaldantes. Só um homem com um grande segredo faria um caminho tão longo. Na Terra Santa, Ragnar buscou a redenção e o esquecimento. Encontrou a guerra, a corrupção e a solidão. E também, o amor.

Uma saga fascinante, contada em seis romances arrebatadores. Bem vinda (o) ao mundo de Radegund!

Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

Radegund é uma das centenas de séries literárias que conheci ao longo dos anos cuja premissa me atraiu o suficiente para que eu a adicionasse à minha infinita lista de futuras leituras, sem previsão de início. No entanto, quando fechei a parceria com a Drica Bitarello, já a coloquei nas prioridades. E, meu Deus, que saga fantástica! Se eu tivesse noção do quanto ia amar, certamente a teria lido há muito mais tempo. Não sei se tenho mérito para dizer que é a melhor que já li no gênero romance histórico (é arriscado fazer uma afirmação dessas após se aventurar com Bernard Cornwell e suas Crônicas Saxônicas), mas definitivamente é aquela que, graças a certa combinação de fatores (ótima ambientação, personagens cativantes, romances tórridos e arrebatadores com direito a cenas de molhar a calcinha, elementos sobrenaturais, escrita leve e fluida, entre outros), mais me entreteve e que mais me proporcionou prazer enquanto folheava as páginas.

A autora consegue nos transportar ao Oriente Médio do século XII com tal maestria que, antes que percebamos, sentimo-nos parte daquele universo. Além da habilidade de escrita, isso denota o cuidado que ela teve com a pesquisa histórica e cultural na hora de compor o cenário onde contaria sua narrativa. E isso é especialmente impressionante por dois motivos: primeiro, por ter escolhido retratar período e local pouco usuais (ao menos eu não conheço nenhum outro livro que se passe em Jerusalém durante as cruzadas); e segundo, por criar uma protagonista feminina forte mantendo-se fiel à época abordada, como o gênero exige.

Em Reino dos Céus, temos quatro personagens principais e, embora a saga leve especificamente o nome de Radegund, eu não sinto como se ela tivesse maior destaque ou importância em relação aos outros três. Mark, Ragnar, Leila e ela possuem a mesma relevância na trama. E isso se mantém ao longo de toda a série, mesmo quando mais personagens se elevam ao status de protagonista.

Radegund é uma mulher marcada por sofrimentos e perdas incontáveis, que muito cedo precisou enfrentar o mundo em busca de sobrevivência. Neste livro, ainda não temos tantos detalhes acerca de seu passado, mas o que vemos é suficiente para que tenhamos noção do quão dura foi sua vida e do porquê de ela ser como é. Uma guerreira formidável, feita de pura fúria e dona de uma habilidade ímpar na arte de matar, mas igualmente, possuidora de empatia e sensibilidade naturalmente femininas; e de um coração enorme que, aos poucos, se mostra para nós, ao abrir-se àqueles que vão sendo colocados em seu caminho.

Leila é uma bela e delicada jovem sarracena que vive com o pai Bhakarat, um rico comerciante, em Jerusalém. No entanto, ela também é dotada de grande coragem e de um gênio que se prova bastante difícil quando confrontada. Num dia comum, ao se arriscar indo sozinha em busca de mercadorias para seu progenitor, é atacada por um grupo de soldados cristãos com intenções claramente libidinosas. Sua perspectiva era muito pouco promissora, se não fosse um guerreiro completamente vestido de negro chegar para resgatá-la. Todavia, apesar de obter êxito na tarefa, ele acaba ferido e necessita ser ajudado por aquela a quem acabara de salvar. E qual não é a surpresa da jovem – e de Bhakarat – ao descobrir que, sob os trajes escuros, esconde-se uma farta e luxuriante massa de cabelos ruivos, brilhantes como o fogo que domina sua dona, e formas claramente femininas, o que os leva a se questionar por que uma mulher ocultaria sua identidade daquela forma. Essa não é outra senão Radegund, nossa guerreira indomável, que faz com que prometam manter seu segredo escondido.

Mark Al-Bakkar é o mais competente espião de Balian de Ibelin (se já assistiram o filme Cruzadas, com certeza se lembram do personagem interpretado por Orlando Bloom). Filho de um misterioso soldado cristão com uma sarracena, sua origem mestiça faz com que sofra desconfiança e preconceito de ambos os lados, o que acaba marcando fortemente sua personalidade. Ainda assim, conserva o jeito jovial e incrivelmente sedutor, exceto quando está com sua espada, ou melhor, com sua cimitarra (texto copiado direto da Wikipédia: espada de lâmina curva mais larga na extremidade livre, com gume no lado convexo, utilizada por certos povos orientais, tais como árabes, turcos e persas, especialmente pelos guerreiros muçulmanos) na mão. Durante uma batalha desastrosa contra as hostes de Saladino (outro personagem marcante de Cruzadas), acaba ferido e quase morto, sendo salvo por um guerreiro que luta com o furor de um demônio montado em seu imponente alazão negro. Esse guerreiro revela-se como Radegund, que precisa conduzi-lo de volta a Jerusalém e, uma vez lá, não tem escolha senão levá-lo para recuperar-se na casa de Leila, a única pessoa que conhece na cidade.

Mark é amigo próximo de Ragnar Svensson, um norueguês que saiu de sua terra, onde estava envolvido numa perigosa disputa pelo trono, a convite de Balian. Contudo, ao chegar ao Oriente Médio, encontrou apenas mais dor e morte. Quando sai em busca do companheiro, acaba chegando à casa de Leila. E assim, o caminho de nossos quatro protagonistas se cruza. Este inusitado grupo acaba se apresentando como a solução para os problemas de Bhakarat, que, com Jerusalém na iminência de um cerco, só preocupa-se em tirar a filha em segurança da cidade, já que sabe não possuir saúde suficiente para suportar a pressão que este tipo de evento ocasiona. Assim, estabelece um acordo com eles, segundo o qual, se a guerra estourar, escoltarão Leila até Tiro, onde ela ficará com uma tia.

Esse é o ponto de partida pra uma história recheada de emoções, intrigas e reviravoltas impressionantes, onde, no meio do caminho, paixões serão despertadas junto com o ódio e a inveja. Alegrias e tristezas esperam por nossos personagens, numa sucessão de acontecimentos que prende nossa atenção e não nos permite tempo de respiro. Só conseguimos largar quando chegamos à última página e, ainda assim, apenas enquanto pegamos Fogo Vermelho, o próximo na sequência de leitura. Vai por mim, é completamente viciante!

Reino dos Céus só não é perfeito devido a duas cenas problemáticas envolvendo Mark e Ragnar. Embora a época justifique aquele tipo de atitude, acredito que não condiz com o que conhecemos e esperamos dos personagens, e, embora elas estranhamente não tenham diminuído o amor que adquiri por Mark e Ragnar ao longo da leitura, decididamente não podem ser ignoradas como se não existissem, ainda mais porque achei que, especialmente no que diz respeito à Leila, tudo passou muito batido, sem consequências à altura. Esse é o motivo pelo qual retirei uma das estrelas na avaliação.

O final de Reino dos Céus parece ser uma despedida de Ragnar e Leila, mas os fãs dos dois podem ficar tranquilos que eles têm papel marcante nos próximos livros da série, que nos reservam surpresas ainda mais assombrosas. Ah sim, prestem atenção nos personagens secundários, eles terão grande importância mais à frente.

Disponível em e-book na Amazon: https://amzn.to/2yw6Gxn; e em versão física no Clube dos Autores.

PS: existe um continho que se passa entre Reino dos Céus e o próximo volume da série, clique aqui para conhecer. E se quiser conferir as resenhas dos próximos livros, clique aqui.

3 comentários sobre “Resenha: Reino dos Céus (Saga Radegund #1), Drica Bitarello

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