Resenha: Um Cavalheiro a Bordo (Os Rokesbys #3), Julia Quinn

Sinopse:

Ela estava no lugar errado…

Durante um passeio pela costa, a independente e aventureira Poppy Bridgerton fica agradavelmente surpresa ao descobrir um esconderijo de contrabandistas dentro de uma caverna.

Mas seu deleite se transforma em desespero quando dois piratas a sequestram e a levam a bordo de seu navio, deixando-a amarrada e amordaçada na cama do capitão.

Ele a encontrou na hora errada…

Conhecido entre a alta sociedade como um cafajeste e um corsário inconsequente, o capitão Andrew James Rokesby na verdade transporta bens e documentos para o governo britânico.

No meio de uma viagem, ele fica assombrado ao encontrar uma mulher na sua cabine. Sem dúvida, sua imaginação está lhe pregando peças. Mas, não, ela é bastante real – e sua missão para com a Coroa o deixa preso a ela.

Será que dois erros podem acabar no acerto mais maravilhoso de todos?

Quando descobre que Poppy é uma Bridgerton, Andrew entende que provavelmente terá que se casar com ela para evitar um escândalo.

Em alto-mar, as disputas verbais entre os dois logo dão lugar a uma inebriante atração. Mas depois que o segredo de Andrew for revelado, será que ele conseguirá conquistar o coração dela?

Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

A maioria de nós, leitores, tem seus vícios, aquela coisinha completamente irresistível que faz com que fiquemos loucos para ler uma história. Pode ser determinado tipo de personagem, de trama ou aquele detalhe no enredo, enfim… Vocês sabem do que estou falando. Eu mesma sou um caso sério em termo de vícios literários, tenho diversos e continuo a descobrir mais alguns. Vários deles eu já cheguei a mencionar por aqui, inclusive. Pois bem, uma dessas coisinhas que fazem meu coração bater mais forte por um livro é plot relacionado a mocinho raptor. Eu simplesmente ADORO! Se leram a sinopse de Um Cavalheiro a Bordo, já sabem onde quero chegar.

Além de vícios, a maioria de nós também tem manias peculiares relacionadas à leitura (eu, pessoalmente, conheço alguns cheiradores de livros compulsivos). Uma das minhas é ficar fuxicando os livros sem de fato tirá-los para ler, apenas vendo pedaços da história ou revendo cenas que me marcaram de alguma forma. Foi num desses meus rompantes que eu acabei pegando Um Marido de Faz de Conta e, por acaso, indo parar nas últimas páginas. E lá eu li o primeiro capítulo de Um Cavalheiro a Bordo. Se têm ou já tiveram cachorro, com certeza já viram a cara que eles fazem ao ter um suculento pedaço de carne à vista, e se viram a cara deles, já sabem qual foi a minha ao me deparar com uma jovem dama curiosa que, por pura sorte (ou azar), acaba encontrando o esconderijo secreto de contrabandistas e, por azar (ou sorte), sendo flagrada por eles em sua incursão pelo local; para manter o lugar secreto, como sempre deveria ter sido, decidem levá-la como uma hóspede involuntária para o navio que tripulam. Um trecho simplório da história, mas suficiente para me deixar alucinada de vontade de ler este livro e, por isso, passar os dois primeiros volumes da série para o topo da minha pilha.

Como já devem ter imaginado, minhas expectativas com a leitura estavam altíssimas. E isso geralmente é uma droga, porque acaba fazendo com que mesmo livros muito bons não nos satisfaçam completamente. Exatamente o que aconteceu aqui, mas não sei explicar o que faltou.

Andrew Rokesby é de longe o meu mocinho favorito da série, isso desde que o vi pela primeira vez em Uma Dama Fora dos Padrões. E, em seu próprio romance, ele só intensifica este amor que eu tenho por ele. Além do senso de humor contagiante e do charme irresistível que já conhecíamos, descobrimos também sua generosidade – mostrada, principalmente, na forma como trata aqueles sob seu comando –, seu senso de dever e de honra, e um lado mais sério que eu definitivamente não esperava mas achei incrivelmente sexy.

Poppy Bridgerton também é maravilhosa. Curiosa, inteligentíssima e com uma imaginação fértil demais, dada a questionamentos filosóficos, além de uma sagacidade à altura da de seu par romântico, tornando os embates verbais entre eles deliciosos de acompanhar. Talvez aí resida um dos motivos que me fizeram retirar uma das estrelas na avaliação do livro: eu esperava mais rebeldia da parte dela. Poppy resignou-se fácil demais à sua condição e não ofereceu qualquer desafio significativo à paciência de Andrew, coisa da qual eu senti imensa falta. Queria tê-la visto deixando-o de cabelos em pé, desobedecendo a cada uma de suas ordens e o instigando a puni-la por isso (se é que vocês me entendem). Ainda assim, as interações do casal são incríveis. A química entre eles é inegável, fazendo com que desejemos intensamente vê-los sucumbir à atração e ao desejo que sentem um pelo outro.

Uma coisa que me agradou bastante foi a terceira e última parte do livro. Não vou dar detalhes, mas tivemos momentos incrivelmente tensos e que deixaram um friozinho na barriga. Gostei muito de ver o Andrew se dando conta do quão desagradável era a situação da Poppy como cativa dele, ainda que a tratasse com respeito e fizesse o possível para tornar sua estadia menos enfadonha. O reencontro dos dois após o término de sua aventura e referências deliciosas a, ninguém mais, ninguém menos, do que Violet e Edmund, os patriarcas da família Bridgerton e progenitores dos irmãos mais queridos da literatura de época, fecharam com chave de ouro esta maravilhosa obra. Só nos resta torcer para que eles apareçam no quarto livro que, ao que parece, encerrará a saga dessa família que já conquistou um lugarzinho de honra no meu coração.

PS: se quiser conferir as resenhas dos demais livros da série, clique aqui.

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