Resenha: Como Não Perder o Duque (Segredos Vitorianos #1), Lygia Camelo Santiago

Sinopse:

Nos lotados salões de festas da boa sociedade londrina, o duque de Wanthrop, Richard Ackerley, procurava fugir de noivas em potencial. Sua mãe havia anunciado que ele, aos 32 anos, finalmente resolvera desposar uma delas. Nem mesmo seu notório mau humor, acentuado pela perda de um importante carregamento de sedas roubado, fora suficiente para espantar as pobres moças tolas que tentavam chamar sua atenção.

Do outro lado, nos mesmos salões, a jovem Lara Hale buscava superar o luto e a iminente falência, sem que ninguém soubesse que a sobrinha de um próspero e respeitado comerciante estava à beira da ruína. Alguém precisava pagar as dívidas da família antes que elas se tornassem públicas. Até arrumar um bom marido, Lara precisava assumir as responsabilidades do negócio do tio — não o comércio tradicional, mas o contrabando que dera riqueza a sua família.

Enquanto o duque se esquivava das jovens que o cercavam, os dois acabaram se encontrando para uma dança — que acabou virando duas.

O que Richard não poderia imaginar era que a moça que ganhara sua atenção, por não falar apenas de leques e frufrus nos salões, seria a única pessoa que poderia ajudá-lo a recuperar seu carregamento de sedas. O que Lara mais temia era que o duque descobrisse que a contratara para devolver suas sedas, quando ela apenas queria chamá-lo de seu marido.

Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

Como Não Perder o Duque é um livro que me interessou desde que li a sinopse. Achei a premissa muito interessante e fiquei curiosa para ver como as coisas se desenvolveriam. Os personagens me lembram um dos clichês modernos mais utilizados: Richard é a perfeita versão vitoriana do CEO arrogante e frio que, no lugar de se contentar em viver apenas dos rendimentos pagos pela coroa ao seu ducado e do lucro das suas – com certeza – várias propriedades, arrisca-se também no comércio, área na qual é muito bom, inclusive; e fica balançado ao conhecer Lara, nossa linda e batalhadora (embora não pobre) mocinha, que precisa lutar para manter a família (a tia e ela são uma família, afinal) e sair da quase falência na qual seu tio a deixou antes de falecer, isso enquanto mantém um sorriso no rosto e continua a fazer aparições em bailes e compromissos sociais como toda boa jovem dama em busca de um marido – rico e titulado, de preferência (não que ela faça questão do segundo requisito). Mas espera um pouco, manter a família, em pleno século XIX? Pois sim, meu povo, e é nesse ponto que as coisas se tornam bem diferentes dos romances de época que usualmente encontramos por aí.

Lara não é apenas uma jovem debutante em busca de um casamento vantajoso, como tantas outras que conhecemos, mas também uma mulher de negócios; ainda que esses sejam um tanto quanto diferentes, para não dizer escusos (embora tenham a conivência da coroa inglesa, aparentemente). E a julgar pelo que li, me parece ser brilhante neste aspecto, já que, quando começamos a ler, ela já recuperou parte do prejuízo deixado pelo tio. Me passa a impressão de ser excelente com números, uma grande negociadora e uma estrategista capaz, mesmo não sendo a responsável principal pela parte prática do negócio: recuperar cargas interceptadas por piratas e contrabandistas ou, em outras palavras, roubar de volta o que o ladrão levou. E qual não é a coincidência quando Richard tem uma valiosa carga de sedas surrupiada e deseja recuperá-las de qualquer modo, mesmo que para isso tenha que abrir mão de parte de sua inabalável moral e solicitar os serviços de uma “empresa” exatamente como a de Lara, que, aliás, é a melhor no ramo. É a partir daí que começa a nossa história.

Essa vida dupla da Lara dá muito pano para manga, já que o Richard é certinho demais e certamente não aprovaria o que ela faz, mas também é o que, indiretamente, faz com que ele se interesse por ela, já que, de outro modo, ela dificilmente conseguiria falar (e tá aí uma coisa que a Lara gosta de fazer: falar, falar e falar) de negócios e outros assuntos que o interessam mais do que o clima, mexericos ou moda feminina. E esse interesse se intensifica quando ela o salva de ter que dar atenção a outras damas – enfadonhas, para dizer o mínimo; e insuportáveis, para jogar a real – e o faz frequentar outros bailes para poder encontrá-la novamente, para alegria de sua mãe. E aí está outra personagem maravilhosa: eu me diverti horrores com a duquesa viúva e suas armações, óbvias, mas eficientes, para convencer o filho a se casar, e com Lara, de preferência, a quem ela aprova com louvor, ainda que não seja a escolha mais adequada para esposa de um duque; é uma mulher ardilosa e de temperamento forte, que foge um pouco dos padrões da matrona casadoira comum, embora consiga manter as aparências perfeitamente bem. Acho que só perde pra Lara e pra Joanne no quesito personagem interessante (ah sim, não vou falar quem é a Joanne, porque é um spoiler grande demais, mas quem ler, com certeza vai concordar comigo que ela é incrível).

Esse livro rende cenas muito engraçadas, que me divertiram horrores, todavia também é apaixonante, com seus personagens e situações fora dos padrões, mas bastante fiéis à época em que a história se passa (claro que são feitas adaptações para que tudo faça sentido, mas estou para conhecer um autor que não as faça). A escrita da Lygia é muito gostosa de ler, ela sabe realmente envolver o leitor e deixá-lo curioso para saber se as coisas vão dar certo e de que forma vão acontecer. Os personagens me cativaram bastante e logo fizeram eu me apegar a eles. Toda a trama é muito bem desenvolvida e amarradinha, sem deixar pontas soltas que eu tenha notado. E ainda, de cara, entrega dois personagens que eu quero muito que tenham livros próprios, embora não necessariamente como casal, já que nenhuma indicação é feita nesse sentido: Brandon, melhor amigo de Richard e o típico nobre que não planeja se casar (tem coisa mais deliciosa do que vê-los morder a língua?), ai ai, como amei esse homem; e a Rosamund, cuja relação com o Richard é bastante nebulosa e me deixou curiosa para conhecê-la melhor.

Fica aqui minha recomendação, acho que todo apaixonado por romance de época – e que não faça questão absoluta da parte hot da coisa – vai amar essa história tanto quanto eu amei.

Como Não Perder o Duque está disponível em versão física na editora Freya e em e-book na Amazon: https://amzn.to/2zj4aPc.

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