Resenha: Audácia e Presunção, Lis Wey

Tem como não ficar feliz e lisonjeada quando uma autora que você adora te chama para fazer a leitura beta do novo livro dela? Eu, com certeza, fiquei. Estou me sentindo importante até. E parece que este é mesmo o ano em que eu estou destinada a ler Jane Austen, já que, essa é uma adaptação da obra Os Watsons, que ficou inacabada, mas agora, finalmente, terá um final, acredito eu, digno dessa grande dama inglesa.

Olhem que capa linda, tem como não se apaixonar?

Sinopse:

Jane Austen abandonou a escrita de The Watsons por volta de 1805, deixando a história de Emma, Elizabeth, Margaret e Penélope sem um final. Em 1850, a sobrinha Catherine Hubback o publicou – “The Younger Sister”, ainda sem tradução no Brasil -, provavelmente seguindo as confidências de Jane Austen à sua irmã Cassandra sobre as previsões de final.

Mais de 200 anos depois, a jovem autora brasileira Lis Wey decidiu reviver as páginas de uma de suas autoras prediletas, propondo uma versão em Língua Portuguesa para a obra e escrevendo um final diferente para o romance. 

“Emma Watson é a mais nova dos filhos de um viúvo adoecido. Depois de anos vivendo sob a tutela de uma tia na Escócia, foi enviada de volta para casa e encontrou suas irmãs, descobrindo inimizades, desentendimentos, rancores e mal-entendidos. Influenciada pelas percepções da irmã mais velha, Elizabeth, Emma passa a observar as pessoas e formar a própria opinião sobre elas.

Elizabeth, a irmã mais velha e responsável pelos cuidados com o pai, sofreu uma desilusão causada por Penélope, outra de suas irmãs, que a afastou de Purvis, o grande amor de Eli. Depois disso, Penélope partiu atrás de um marido. Outra de suas irmãs, Margareth, disputa com todas as moças solteiras o amor do galanteador Tom Musgrave.

No primeiro baile que comparece, Emma conhece a família Edwards e os Osbornes, família mais abastada da região, além do antigo tutor de lorde Osborne, o senhor Howard, personagens cruciais no desenrolar da trama.”

Os conflitos das irmãs fazem desta história de Jane Austen um terreno fértil à criatividade de Lis Wey, autora de “A Herdeira do Título”, “O Segredo de Lady Julie” e outros romances de época nacionais ambientados na Inglaterra de Austen.

Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

Audácia e Presunção carrega toda a essência de um romance clássico (até porque, de certa forma, o é), tendo um ritmo que eu, vergonhosamente, estou desacostumada, já que faz alguns anos que li o último livro nesse estilo. A primeira parte é um pouco mais lenta, embora já vá fazendo revelações sobre problemas e divergências familiares que serão retomados na segunda; introduz também, ainda que de forma superficial, alguns personagens que terão mais importância depois. E, embora seja narrado em terceira pessoa, temos um ponto de vista maior da Emma que, por ter sido criada por uma tia, longe de casa, tem pouco conhecimento sobre o que aconteceu durante sua ausência. Dependemos então das impressões dela, que são baseadas unicamente em conversas com a irmã mais velha, e de suas próprias observações, que podem ou não estar corretas. É possível, a este ponto da leitura, que criemos teorias a respeito do que se passará no futuro e sobre o que é ou não verdade naquilo que é dito por Elizabeth.

Aqui temos personagens que me causaram impressões ambíguas a princípio, como Tom e o conde, e outros que me causaram antipatia desde sua primeira aparição, como Margareth. Ô mulherzinha insuportável, não tinha como não torcer pra ela se ferrar na vida. Confesso que comecei a shipar a Emma com o Tom, me divertindo com os passa-foras que ela foi dando no cavalheiro. Achei lindo, para abaixar um pouco a bola dele. E, inclusive, shipei ainda mais justamente por saber que a Margareth gostava do Tom e tinha a impressão, bastante equivocada, de que era correspondida; estava louca para vê-la quebrar a cara. Não vou falar sobre o futuro desse casal, mas amei o que aconteceu.

Pegar uma obra de Jane Austen para continuar pode parecer presunção (sem trocadilhos propositais com o título, juro) da autora, mas, depois de ler essa belíssima obra, só tenho a agradecer por sua coragem. O resultado foi magnífico. Durante toda a narrativa, eu pude perceber o cuidado para se manter fiel à estrutura dos romances clássicos, embora, sim, possamos sentir os toques pessoais dela em tudo. Acredito que somente uma vez a Lis Wey tenha, propositalmente, fugido dessa proposta, mas por um bom, um ÓTIMO motivo. Ao menos eu amei o que ela fez, e acredito que vocês também o farão.

Posso dizer que gostei muito de toda a história e de tudo o que aconteceu, algumas coisas bastante inesperadas, mas que justamente por isso me agradaram bastante. Adoro surpresas, como nunca vou cansar de afirmar. Achei o texto muito rico; a escrita, fluida, deliciosa; e os personagens, extremamente interessantes e encantadores, além de surpreendentes, em alguns casos. Acredito que nenhum fã de Jane Austen ficará desapontado se der uma chance a este livro. Ele aumentou ainda mais o meu desejo de mergulhar nas obras dessa importante autora inglesa, e me fez acreditar que o destino está mesmo dando uma forcinha para que eu faça isso esse ano. E eu não sou mulher de ignorar esse tipo de coisa.

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